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    como criar uma sinopse interessante

February 11, 2019

Confira 10 dicas para criar uma sinopse interessante

Texto: Delson Neto

Escritor ama falar a respeito da própria história. Se você é leitor, ou também é um autor, vai perceber a partir de agora que sempre damos um jeitinho de contar um pouco sobre aquilo que escrevemos. É quase inevitável, porém, quando nos confrontam com a típica e temida pergunta “Vem cá, sobre o que é seu livro?”, travamos. As palavras fogem, a empolgação para fazer o monólogo resumindo todas as ideias centrais da trama que temos em mãos também desaparece. O motivo: a gente não precisa fazer um monólogo em resposta, basta uma boa sinopse.

A capa do seu livro, por mais linda que seja, não será a única responsável por fazê-lo ser lido. Falar cada detalhe da narrativa, linha após linha, muito menos. O que vai provocar o leitor é a forma escolhida para instigá-lo. Abaixo, a convite do Sweek, trago 10 dicas rápidas de como criar uma sinopse capaz de fisgar o público.

 

 

Sendo bem direto: ninguém quer saber o quão bonita é a sua personagem, em quantas casas ela já morou, nome dos pais, cidade, estado e país onde ela vive. A não ser que seja extremamente essencial para a história, corte essas arestas na hora de trazer a sua sinopse à vida. Quanto menos voltas a sinopse der, menos preguiça o leitor terá de seguir adiante. Traga o essencial e deixe os detalhes que, para você como autor, parecem importantes, para o conteúdo que tem lá dentro do livro.

 

 

Terminou sua sinopse? Escreva de novo. Leia mais uma vez, duas, até ver um ponto ali e outro aqui que pode ser reformulado. Às vezes, durante nossos insights, as ideias parecem geniais, mas após uma xícara de café e algumas horas, conseguimos ver o texto com outro olhar. Nesse momento é importante tomar o lugar de leitor, não de autor, e pensar se você ficaria interessado em ler o próprio livro caso encontrasse a sinopse na livraria, ou aqui no Sweek.

 

 

Sinopse não é resumo – e isso é uma afirmação, sim. Não é aqui onde se deve falar o começo, meio e fim da história, deixando pontas soltas para continuações, ou mencionando a árvore genealógica dos personagens. Sinopse não precisa ter três, quatro parágrafos enormes contando além do núcleo principal da trama. Encare-a como um extrato de tudo que tem lá dentro, apenas isso.

 

 

O mundo do feedback e de olhares profissionais em cima de seu texto será rotina depois que escolher o caminho da publicação. Tem um amigo de confiança? Peça para que ele leia a história antes de você clicar em “publicar capítulo”. Uma leitura externa pode te ajudar na construção da sinopse. Não há nada de errado e nenhum escritor deve pensar que seu trabalho é solitário; às vezes, até seu revisor/revisora podem te dar um toque. Dois cérebros podem criar uma sinopse melhor do que um só (ditado inventado agora).

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Ok, eu disse antes que menos é mais, mas é preciso ficar atento para que o menos não seja algo sem pé nem cabeça, como algumas sinopses de séries e filmes que vemos por aí. Muitas vezes, elas não retratam nada do que a história realmente traz de interessante – talvez porque quem as escreveu não tenha visto mais de dez minutos. É importante que o autor tenha convicção sobre seu texto, mesmo que ele ainda esteja em desenvolvimento. Quanto mais souber sobre a história, mais propriedade você tem para mostrá-la.

 

 

Sinopses devem ser mais atrativas do que explicativas. Uma frase, desde que bem construída, certamente capta a atenção do leitor muito mais do que dez linhas girando em torno da mesma coisa. Uma recomendação de algum autor, editor, ou qualquer profissional do livro que tenha certa notoriedade dentro da área também pode chamar uma leva de leitores na mesma hora.

 

 

“Essa sinopse te traz alegria?” Se a resposta for “não”, agradeça e delete. Brincadeiras à parte, o método Marie Kondo é real e funciona! Somos enchedores de linguiça natos, nos perdemos muito rápido falando, falando e falando em nossas sinopses. Olhe para os diversos trechos que formam sua sinopse e pergunte a si mesmo se eles são realmente necessários; às vezes, estão só preenchendo espaço, enquanto você poderia escrever algo muito melhor naquelas linhas.

 

 

Está postando um conto ou um romance? É uma novela ou um microconto para o desafio do Sweek? Sua sinopse deve transmitir isso. Um microconto de 200 palavras não pode ter uma sinopse maior que seu conteúdo, assim como um romance não precisa ter uma apresentação muito longa só por ter mais conteúdo. É muito importante manter o equilíbrio entre as diferentes formas que um texto pode ter.

 

 

Dê uma olhada ao seu redor. Treine suas idas à livraria para ir em busca de métodos, de pequenas inspirações em como vender um livro. Cheque os livros de sucesso do Sweek e veja como a sinopse está apresentada ali. Todo ano aparece um novo jeito de atrair leitores. Adaptar a fórmula para sua história pode ser difícil, mas vale o esforço.

 

 

A última dica é um pouco audaciosa, mas veja bem, uma das grandes vantagens da autopublicação online, principalmente para o autor iniciante, é a possibilidade de ter um público mais restrito em mãos e a tecla backspace como aliados. Usou uma sinopse que não deu certo? Inove, tente outra totalmente diferente da primeira. Deu errado de novo? Reformule, repense, publique outra vez. Arriscar-se é descobrir algo novo e só assim conseguimos chegar no resultado desejado.

Essas são as dicas que fui recolhendo ao longo desses anos, mas sempre volto para consultá-las. Podem funcionar – ou não – mas o legal da experiência partilhada é que podemos aplicá-la de várias formas. Vamos juntos rumo a um 2019 cheio de histórias e sinopses incríveis! 🙂

SOBRE O AUTOR 

Nascido na primavera em Curitiba, Delson Neto escreve desde que se entende por gente. É vencedor do prêmio internacional The Wattys em 2018 com a ficção-científica “Diário Simulado”, que ganhará uma publicação neste ano com uma editora a ser revelada. Também é um dos autores participantes da antologia #OrgulhoDeSer, promovida pelo Sweek e publicada pela Rico Editora, com o conto “A Garota no Bar”, que integra o mesmo universo. Entre seus mil empregos, se aventura em mundos paralelos que mesclam a vida cotidiana e as melancolias da modernidade e da fantasia.

No Sweek, você pode encontrar as histórias “Mergulho”, “Utopia”, “Supernova”, “Diário Simulado” e a degustação de “A Garota no Bar”.