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February 5, 2019

Papo Literário: 5 minutos com Dai Bugatti

Você leu a entrevista que fizemos com Diego Guerra, que lançou o romance medieval “Maculado” no Sweek? Dando sequência ao Papo Literário, nossa série de entrevistas com autores que se destacam no Sweek, apresentamos hoje a autora Dai Bugatti, que já foi jurada do desafio de microcontos #MicroChave e, mais recentemente, do SweekStars 2018.

Ela começou a escrever aos 15 anos, mas divulga seus trabalhos há pouco mais de 2 anos. Possui um canal literário no Youtube e, no ano passado, teve dois contos lançados na antologia “Proteja-me” e um livro escrito em parceria com outras escritoras intitulado Unicórnio – A Outra Dimensão“. Atualmente, escreve um romance exclusivo no Sweek chamado “Da Noite Para o Dia“, que pretende finalizar até março, e tem mais três contos publicados na plataforma: “Estímulos do Espaço”, “O Pedido”, “O Nosso Caso”.

Dai Bugatti é uma das juradas do concurso SweekStars 2018.

Qual é a sua relação com o mercado literário e como decidiu se tornar escritora?

Sempre amei ler, assim como a maioria das pessoas que escrevem. Mas durante muitos anos escrevia e guardava tudo na gaveta. Tinha vergonha, não deixava ninguém ler. Só depois de fazer um curso com o escritor André Vianco que comecei a enviar as escritas para os amigos e pensar em publicar. Com isso, comecei a ver os nomes que estavam despontando no mercado brasileiro e a me interessar por eles. A decisão mesmo veio nos últimos dois anos, em que me dediquei mais e me programei para, em 2019, só me dedicar a escrever e alimentar meu canal literário.

Como você define o seu tipo de escrita?

Acho que tem um pouco de influência de tudo o que já li na vida, mas também acho que ela é bem simples. No sentido do uso das palavras mesmo. Gosto de ler para aprimorar meu vocabulário, mas sempre penso que quem está lendo pode ser alguém que gosta ou não da leitura e que tem ou não facilidade em se envolver com uma história, por isso tento escrever de uma maneira que possa atingir os dois públicos. Como gosto de escrever fantasia, terror e ficção, o meu intuito é entreter, envolver e distrair o leitor.

Como você cria seus personagens?

Penso muito neles. O tempo todo. Além disso, crio todo o histórico de cada um deles. Penso na personalidade, signo, data de nascimento, fatos que marcaram suas vidas e por aí vai. Às vezes, me complico para começar uma história porque me pego preenchendo todas as lacunas dos personagens e aquilo acaba tomando muito mais tempo do que o imaginado, mas quando vou para a história em si, parece que os conheço tão bem que as decisões a serem tomadas no rumo da narração se tornam ainda mais fáceis e próprias de cada um.

Quais são seus autores nacionais e internacionais preferidos?

A lista é grande (risos).

O primeiro é, sem sombra de dúvidas, o André Vianco. Eu estava pesquisando a obra do André Vianco após ler “Os Sete” e foi através dele que vi que era possível se estabelecer no mercado nacional. Tem também o Geovani Martins, a Graciele Ruiz, a Íris Figueiredo, o José Mauro de Vasconcelos, o Caco Barcellos (sou jornalista e amo livros-reportagem) e muito mais gente…

De fora, para mim, o cara é o mestre Stephen King. Amo Ernest Hemingway, Sophie Hannah, J. K. Rowling, Gabriel García Márquez, entre muitos outros.[/caption]

“O escritor deve se conhecer e entender como potencializar seus pontos fortes”, afirma Dai.

Na sua opinião, qual é a maior dificuldade em ser escritor?

Dar o primeiro passo já é bem difícil. É preciso desapegar do ego e estar pronto para críticas. Também é preciso desapegar do que já foi feito, muitas vezes precisamos voltar páginas e páginas na história e refazer, trocar algo que não encaixou tão bem… Dá um aperto no coração, mas é necessário.

Mas a maior dificuldade acho que é se destacar. Tem muita gente boa, que escreve bem, mas que não tem visibilidade… Viver de escrita num país em que as livrarias estão fechando as portas não é a tarefa mais fácil, principalmente se você não é visto. Se divulgar e dar a cara a tapa é primordial.

Como lidar com as inseguranças no começo da carreira?

Sempre lembrando do seu foco e do seu ofício. Sempre digo que, independentemente do que fazemos da vida, precisamos fazer com o coração. Como se fosse a última coisa do mundo, da melhor maneira possível. Quando estou insegura, respiro fundo e me lembro que é disso que quero viver um dia. Penso que não tenho outra opção porque não quero ter outra opção de vida, então é preciso vencer os medos e continuar.

Quais dicas você pode passar para os autores que querem fazer sucesso na internet?

As mesmas que eu tento me dar todos os dias: não perder o foco, se dedicar e interagir. A internet nos dá aquilo que é bem difícil ter na vida offline: ter contatos com pessoas que estão longe. Então quando alguém lê uma história nossa e nos dá um feedback, é muito bacana poder conversar e ter uma troca. A divulgação também é necessária. Tenho visto muitas palestras e todas falam a mesma coisa: é preciso se divulgar.

Você já foi jurada do Sweek algumas vezes. O que leva você a selecionar uma história como finalista ou vencedora?

O fator surpresa é algo que sempre me chama a atenção. Histórias que surpreendem ou que nos fazem pensar sempre estão um pouco à frente nas minhas leituras. Mas também levo em conta a própria escrita e o quanto aquela história me toca de alguma maneira.

Como você evoluiu a escrita ao longo dos anos? Que conselhos pode dar em relação a esse processo?

Lendo muito. Não existe escritor que não gosta de ler (talvez exista, mas eu duvidaria bastante dessa pessoa, assim como duvido de atores que não gostam de teatro e cinema). E testando também, tentando encontrar meus pontos fracos e fortes; por exemplo: eu tenho dificuldade em escolher finais. Sempre fico na dúvida, então tento deixar a história a mais redonda possível e com duas opções de fim que me agradam para decidir quando chegar o momento certo. Meu conselho seria no sentido do escritor se conhecer e entender como potencializar seus pontos fortes!

Qual é seu maior sonho na vida profissional?

Apesar de já ter escrito muita coisa, ainda não tenho um livro só meu publicado, mas isso está bem próximo de acontecer. Depois disso, o maior sonho é viver da escrita, com certeza.

Saiba mais sobre o trabalho do Dai Bugatti nos perfis abaixo.

December 4, 2018

Papo Literário: 5 minutos com Diego Guerra

Para que esperar 2019 se podemos começar agora mesmo, em 2018? Neste dezembro, começaremos uma série imperdível de entrevistas: o Papo Literário. Todos os meses, vamos entrevistar um autor do Sweek para você conhecê-lo melhor, saber mais sobre seu processo de criação e sua trajetória. Gostou da novidade? O primeiro convidado desta coluna é Diego Guerra.

Aos 23 anos, o escritor natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo – hoje residente de São José do Rio Preto, também no interior – mostra sua versatilidade em diferentes gêneros. Além de seu recente livro de poesia, O Novelo do Verbo – Verso e Prosa”, ele assina diversos contos, como “Cecita”, “Os Pés de Carolina” e From Cream to Cherry” (“Do Creme à Cereja”, em tradução literal) – publicado na antologia internacional Gruesome Grotesque Vol. 3″.

Além de seu trabalho literário, Diego é estudante de Licenciatura em Letras e desenvolve pesquisa na área de Literatura Brasileira. No Sweek, começará a publicar o livro “Maculado” na próxima quinta-feira, 6 de dezembro. Confira a conversa abaixo!

Como e quando surgiu o interesse pela leitura e escrita?

Como muitos jovens da geração dos anos 1990, fui impulsionado pela leitura por meio da saga infanto-juvenil “Harry Potter”. Sim, esse foi um dos primeiros livros que tive na vida; até lá não me lembro de escrever nada muito palpável. Aliás, acho muito proveitoso a ingressão das pessoas na leitura por meio dos livros infantis ou infanto-juvenis, porque eles são incríveis e escondem mundos maravilhosos.

O meu trabalho mais significativo foi um romance que escrevi por volta de 2010 – talvez 2011… Na época, minha prima, que é professora de português, revisou meu livro enquanto passava as férias em Ribeirão Preto, minha cidade natal. Eu tinha uns 14 ou 15 anos durante o processo de escrita. Depois disso, imprimimos o livro e ela teve a ideia de enviarmos às editoras que ela conhecia, da forma mais tradicional possível:  pelos correios. Assim fizemos, mas não obtive nenhuma resposta. O resultado é completamente compreensível, provavelmente eu também o negaria, mas foi assim que comecei. Tenho vontade de voltar àquelas páginas – ainda tenho as cópias originais guardadas – e revisitar as histórias. De qualquer forma, concluo que o desejo pela escrita partiu do próprio exercício de escrever e me vendo em uma liberdade gigantesca de criar histórias só minhas, mundos só meus.

Você já consegue viver da escrita? Esse é um dos seus objetivos?

Primeiramente, devo admitir que hoje não vivo somente da escrita e ainda não sei ao certo se esse é o meu objetivo, mas reconheço que escrever é algo que eu desejo fazer para o resto da minha vida.

Na outra face, porém, revelo um Guerra professor e também gosto muito dessa minha versão. Estou prestes a me graduar em Licenciatura em Letras e já estou trabalhando na área da educação, então vejo um cenário que me impulsiona constantemente. Ainda nesse ambiente, me deparo com a miscelânea do olhar de um aluno em suas fases de aprendizagem, durante a produção dos primeiros versos de uma poesia ou das linhas de uma narrativa. Para mim, o “fazer literário” é uma outra face do “fazer ensinar”; afinal, o que é um bom livro senão uma conversa construtiva entre autor e leitor?

Como surgiu o romance “Maculado”?

Uau! Como é impressionantemente difícil responder a essa pergunta! O romance, que hoje é intitulado “Maculado”, nasceu há 5 anos. Vou revelar algo que pouquíssima gente sabe, mas o livro que será publicado em breve no Sweek é uma versão reescrita do original de 2013 – melhor, com toda certeza! A história me cativou desde as primeiras palavras que escrevi e foi esse amor ao texto que me fez voltar a reviver aquelas linhas, e, assim, reescrevê-lo. Mas vamos à origem!

Lembro-me que eu ainda era muito imaturo na escrita. Em 2012, eu queria escrever histórias medievais, sobre cavalarias e cruzadas, mas que tivesse um espaço autoral meu, logo, totalmente fictício. Passei meses cogitando essa ideia… Certo dia, enquanto voltava das compras, vi um homem com sua suposta cônjuge parados no estacionamento. Esse homem me iluminou ao Emanuel, que inicialmente se chamava William. Este homem do estacionamento tinha o corpo totalmente coberto por tatuagens e chamava atenção de longe; foi a partir daí que comecei a construir a pele de Emanuel e também a ideia de romance presente na trama. Acredito que observar o mundo real me deu oportunidades de começar a rabiscar o mundo ficcional de Coluna D’alvorada.

Inicialmente, todos os nomes dos personagens eram em língua inglesa, como o protagonista citado acima, e o sobrenome inicial da família era “Forew”. Quando eu reescrevi, senti a necessidade de me apropriar do espaço ficcional e dos personagens, então resolvi criar nomes na língua portuguesa para criar uma identificação maior com o leitor brasileiro.

O título da história foi outro item que me deu muita dor de cabeça. Simplesmente não me sentia seguro com nenhum deles. Na história inicial, em 2013, a história se chamava “O Honesto Cavaleiro” e depois “Pelos Olhos do Carrasco” – já pensando em um segundo momento da história. Mas ainda não estávamos lá. Por fim, pensei em algo minimalista, que fosse reduzido a uma palavra só, de impacto. A partir disso, concretizo “Maculado”, uma palavra tão forte semanticamente, que consegue exprimir todo o livro. Aquele que é manchado, marcado e também serve em oposição ao simbolismo do “imaculado”. Logo, penso que, em “Maculado”, encontramos não só Emanuel, mas todo o mundo que o cerca.

Quais são as principais características do seu texto?

Apresento em “Maculado” uma escrita quase que desafiadora [risos]. Hoje um dos meus ídolos é o escritor português José Saramago, principalmente sua obra gigantesca “Ensaio Sobre A Cegueira”. Encantado com seu estilo, eu tento reproduzir, de uma forma minha, uma escrita fluida, porém que abre mão das pontuações gramaticais que conhecemos na escola, como “Fala vem apenas depois de travessão”. Que convenção é essa, aliás? Eu vou provar para vocês – aliás, continuar provando – o que foi iniciado por muitos escritores antes de mim: que podemos retirar tudo isso do texto e, mesmo assim, compreender a obra sem problemas. E o resultado ainda é… INCRÍVEL.

De onde surgiu o interesse em publicar um livro em partes de forma online e gratuita? Qual é a importância disso para o seu trabalho?

Pensei em disponibilizar a história gratuitamente para alcançar o maior número de pessoas possíveis e conquistar as pessoas com “Maculado” assim como eu fui conquistado. Eu escolhi o Sweek, porque a equipe leu o projeto do livro e me acolheu de braços abertos! Além disso, sou muito entusiasta das tecnologias relacionadas a leitura e escrita.

Você pensa em dar continuidade a este trabalho?

Sim! Não tenho certeza se vou continuar a história com outros volumes, mas pretendo publicar de outras formas, dando molde a esse corpo progressivamente a partir das respostas dos leitores.

O que o Sweek representa para você neste momento da carreira?

Gostei bastante da proposta do Sweek desde que a plataforma chegou ao Brasil. Vi a oportunidade de uma outra ótica, além das outras plataformas de self-publishing. Quando pensamos juntos sobre essa publicação, vi uma grande oportunidade para o livro e para minha carreira como escritor, já que também vou ser jurado de concursos, como o SweekStars 2018.

Quais são seus planos para seu futuro como escritor?

Quanto aos planos mais próximos, eu devo revelar que estou participando de uma antologia incrível elaborada pela Editora Flyve. O livro foi intitulado “Quando Você se Foi” no prelo. Em planos mais futuros, vou continuar escrevendo narrativas, sejam elas romances ou crônicas, mas não me vejo preso a um gênero, como “Fantasia”, por exemplo. Acho a escrita laboratorial muito produtiva e já tenho algumas ideias!

Quais dicas você pode dar para as pessoas que estão começando a carreira como autor?

Infelizmente eu não tive esses momentos de conversa com outros escritores quando comecei, em 2010, então não sabia absolutamente nada sobre o mundo literário e sofri muito. Por isso, eu falaria para esse colega sobre a importância da conversa e do trabalho com outros autores. É incrível como fazer networking e ter uma rede de contatos auxilia o nosso trabalho e nos põe em um lugar de destaque diante das editoras. Além disso, diria também sobre a importância de publicação de livros por meios digitais. Tem dado muito certo e vale a pena!

Muitos autores pensam que não precisam se preocupar com o uso perfeito do português, porque podem contar com o trabalho dos revisores. O que você acha disso?

Eu acredito que o produto literário não é trabalho de apenas uma pessoa. Revisores, editores, diagramadores e vários outros profissionais são tão colaboradores de uma história quanto o escritor, então eu acredito em um trabalho de escrita (e de criação do livro) colaborativo – o que quebra a falsa ideia de que a história depende só do autor e que ele é a entidade soberana ao livro.

Erros gramaticais devem ser evitados, claro, mas retomo que, muitas vezes, estamos mais preocupados com plot twists, ambientação, tempo, personagens, profundidade psicológica etc do que com aspectos gramaticais. Daí, então, a importância de um bom revisor para a obra.   

Quando iniciará a publicação dos capítulos e qual será a dinâmica?

Estou me programando para começar as publicações no dia 6 de dezembro. Em 3 semanas, vou postar o segundo capítulo no dia 13 e o terceiro, no dia 20. Depois voltamos quinzenalmente a partir de 17 de janeiro. Não percam!

Saiba mais sobre o trabalho do Diego Guerra nos perfis abaixo.