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March 13, 2019

5 coisas que todo escritor iniciante precisa saber

Texto: Bruno Crispim

Há três anos, coloquei o último ponto final no meu primeiro romance “O Segundo Caçador”. Esse foi um marco importante que permitiu me enxergar pela primeira vez como um escritor e que encerrou uma década de dúvidas sobre a minha capacidade de concluir um livro de ficção.

“Ascensão”, meu segundo romance, ainda que mais complexo, foi muito mais fácil de ser finalizado simplesmente porque eu não tive dúvidas de que conseguiria terminá-lo.

Mas, antes de conquistar confiança, rasguei e deletei muito do que escrevi. Passei anos estudando e escrevendo escondido. Foram mais de 10 anos me aperfeiçoando até que me senti pronto.

Hoje divido com vocês, a pedido do Sweek, 5 coisas que todo escritor iniciante precisa saber.

 

 

Na escrita, nenhum conselho é tão básico quanto leia muito, leia de tudo. Ler é tão importante para o processo da escrita que até autores renomados continuam usando grande parte do seu dia na companhia dos livros. Stephen King, por exemplo, dedica um terço do seu dia para a leitura.

Mas não se limite a ler livros do seu gênero preferido, procure ler todos os gêneros possíveis. Leia os clássicos. Leia não-ficção. Leia roteiros. Leia poesia. Leia contos. Leia histórias em quadrinho e animes. Leia livros de teoria literária. Releia e estude os livros que causaram um grande impacto em você.

Em um livro, cada palavra é uma decisão de seu autor. Uma decisão que repercutirá no enredo, nos personagens e no ritmo da narrativa. Ao ler centenas de livros, você será capaz de dialogar com o autor e enxergar suas intenções por trás de cada palavra.

 

 

Todo escritor já experimentou a acumulação vertiginosa de suas dúvidas, até que estas impactem seu ritmo de escrita. “Será que eu sou bom o bastante?” Necessariamente, a dúvida evolui para o desespero, que resulta em uma página em branco sendo encarada por olhos desesperados.

É como uma profecia autorrealizável. Sua insegurança impede a escrita, o que prova que suas incertezas tinham motivação; consequentemente, você pensa em nunca mais escrever uma só palavra. Todo escritor passou e vai passar por isso. Aconteceu com aquele seu autor favorito. Aconteceu comigo. E provavelmente acontecerá com você. Faz parte.

O bloqueio criativo acontece quando olhamos para o nosso texto e supomos que ele nunca será bom porque não está bom naquele momento. Para combater esse tipo de pensamento, nada melhor do que acreditar em Hemingway: “A primeira versão de qualquer coisa é uma bosta.”

Parece pouco, mas se você aceitar (de coração) que a primeira versão do seu livro nunca será boa, você para de esperar que ela seja ótima. Nosso trabalho de escritor se assemelha muito ao trabalho de um escultor. Vamos trabalhando o mármore aos poucos, acreditando que, algum dia, a pedra disforme se transformará em arte e que em alguma ocasião futura, você terá orgulho do que fez.

Antes da arte, vem a primeira versão.

 

 

Lembrem-se sempre de que o grande talento do escritor é a capacidade de não desistir.

Escrever bem leva tempo. Especialistas estimam que a excelência, em qualquer atividade complexa, exige por volta de dez mil horas para ser atingida. Cantar, dançar, escrever, ensinar, tanto faz.

Em uma pesquisa, músicos clássicos foram separados em três categorias: ótimos, bons e medíocres. Aos vinte anos, os que eram ótimos tinham praticado, em média, dez mil horas na vida. Os bons, por oito mil. E os medíocres apenas quatro mil horas.

É lógico que existem exceções e fatores (ambientais, inatos ou fortuitos) que impactam a velocidade de aprendizado de cada um. Mas nem mesmo Mozart escapou das suas dez mil horas. Seu pai era um ótimo músico e professor que treinou o seu filho intensamente desde muito cedo. Aos 18, Mozart já era um músico extraordinário – que tinha rompido a barreira das 10 mil horas de prática. E, ainda que ele tivesse destaque desde a infância, suas obras-primas foram compostas apenas na idade adulta.

Concluindo, o tempo que um escritor escreve tende a ser proporcional à qualidade da sua obra. Então, esqueça essa conversa fiada de que você não nasceu com talento para escrever e se esforce o máximo que conseguir. Escreva, leia, critique, analise e reescreva. Alcance logo as suas 10 mil horas.

 

 

 

Escrever um romance não é fácil. Nem rápido. Até a versão final, o processo pode levar vários meses, até anos. Nesse tempo, é muito fácil perder o foco. É possível que criemos personagens desnecessários, enveredemos por subtramas despropositadas, dissertemos sobre cenários sem importância, defendamos causas que nossos personagens não defenderíam. Sem o devido cuidado, chegamos ao ponto de abandonar nosso protagonista sem perceber.

Para diminuir este risco, o ideal é planejar a história.

Esboce a apresentação da trama (início), o desenvolvimento do conflito central (meio) e a resolução (fim). Defina pontos-chave onde a trama deve passar (plot points). Imagine as origens de seus principais personagens. Conheça a jornada do herói e como a sua história se encaixa nela. Saiba, com profundidade, quem é o seu protagonista e qual é o seu arco dramático.

Sobretudo, defina cedo o seu logline. Para isso, responda às três perguntas abaixo em um parágrafo sucinto:

Quem: O que faz o protagonista ser interessante?

Desejo: O que ele quer acima de tudo?

Obstáculo: O que o impede de conseguir o que deseja?

O logline é uma ferramenta que expõe a espinha dorsal da história. A partir do conflito (desejo x obstáculo) vivido pelo protagonista (quem), ações se desenrolam fazendo a história avançar, criando a tensão necessária para prender o leitor. Existem várias outras ferramentas para planejamento de enredo (storyline, escaleta, scene cards, método snowflake, save the cat, etc.) e a minha sugestão é que você estude o maior número delas.

Contudo, saliento o logline por ser uma forma rápida de relembrar o propósito do enredo. Releia-o sempre que recomeçar a escrever; será muito mais fácil manter o foco no que importa para a história.

OBS.1: Planejar a sua história não quer dizer que ela deva ser imutável. Pelo contrário. Mude o que achar necessário, desde que seja uma decisão consciente.

OBS 2: Se ainda não conhece a jornada do herói, aproveite o link da explicação feita pelo TEDx: https://www.youtube.com/watch?v=Hhk4N9A0oCA

 

 

Mostre, não conte. Nenhum dos conselhos de escrita é tão repetido e tão pouco compreendido. A intensão por trás desse mote (que parece simples) é não deixar a narrativa soar artificial e, consequentemente, favorecer a imersão do leitor.

Nas palavras de Robert McKee: “Nunca force palavras nas bocas das personagens para contar ao público sobre o mundo, a história ou as pessoas. Ao invés disso, mostre-nos cenas honestas e naturais nas quais os seres humanos conversam e se comportam de maneira honesta e natural (…). Em outras palavras: dramatize a exposição.”

Dramatizar a exposição é dar todas as informações necessárias indiretamente, através de ações ou diálogos. Isso deixa a cena mais suave e elimina “barreiras” à imersão. Sutileza é a palavra-chave.

E como estamos tratando de mostrar, e não dizer, vamos à demonstração:

Cena “dita”:

Augusto e Cristina não se viam há muito tempo. Desde que terminaram o seu namoro, quase um ano atrás. Ele fica confuso e envergonhado ao ver que ela continua mexendo com seu coração.

Cena “mostrada”:

Augusto passa o olhar pelas pessoas que andam pela rua. Encara por alguns segundos um careca de terno impecável. Muda para uma velha corcunda e depois para uma loira de vestido colado.

– Augusto? – ela diz.

Ele encara a loira. Boca aberta. A voz não vem.

Ela se aproxima e beija as bochechas dele.

– Sou eu, Cristina. Vai falar que não se lembra de mim?! – coloca as mãos na cintura. – Não faz nem um ano que a gente… você sabe…

Ele sorri.

– Lógico que lembro de você lind… quer dizer… eu lembro de você, Cristina.

Ela sorri. Ele enrubesce.

 

 

Contar é muito mais rápido – neste caso, três vezes mais – e fácil. É exposição pura e simples. Mas a dramatização é mais envolvente e traz o leitor para perto, fazendo com que ele imagine o que acontece.

Existe ainda uma consequência secundária da dramatização. Conforme você vai criando detalhes para preencher as lacunas necessárias, você conhece melhor os seus personagens. Trejeitos, escolhas de palavras e tiques nervosos são criados a partir de detalhes mínimos.

 

 

Como tudo na vida, existe uma contraindicação. Nem sempre é ideal dramatizar partes com pouca importância para a história. Se uma informação é necessária e mostrá-la desacelera a cena a ponto de prejudicá-la, pense em inserir essa informação em outra parte da história ou até mesmo em exclui-la.

Como última opção, e só como última, pense em contá-la. Às vezes é a melhor opção, mas nunca conte por preguiça.

Bruno Crispim

Bruno Crispim nasceu em Niterói-RJ. Apaixonado por ficção, comportamento humano e finanças, transitou, por muito tempo, nessas áreas. Morou no Canadá por um ano e aproveitou o inverno congelante para escrever “O Segundo Caçador”, um esforço que rendeu frutos. O romance foi vencedor do III Prêmio UFES de Literatura e publicado em 2016.

De volta ao Brasil, foi convidado para participar da oficina de escrita criativa do premiado autor Marcelino Freire. Recentemente, finalizou seu segundo romance, “Ascensão” e participou da coletânea de contos da revista Superinteressante “Realidades Alternativas” (Ed. Abril). No Sweek, escreveu GUIA do Escritor Iniciantee “Contos Difusos e Alguns Poemas Soltos”.

March 7, 2019

Papo Literário: 5 minutos com Rodrigo Duhau

Rodrigo Duhau é jornalista, historiador, mestre em Ciência Política, servidor público e assessor de comunicação social da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) há 13 anos. Autor de três livros: “Luz, Câmera, Repressão”, “Pintura Morta” (contos e minicontos) e “Estrada do Além” (poesias).

O autor foi finalista dos desafios #MicroCoração (“Navalha”), #MicroCarta (“Bodas de Ouro”), #MicroDia (“Dois Irmãos”), #MicroSegredo (“Três Gerações”), #MicroMedo (“Enterrado Vivo”), #MicroRelógio (“Caderno de Caligrafia”) e #MicroCarnaval (“Carnaval de Lágrimas”). Também foi vencedor de duas rodadas: #MicroPorta (“A Casa de Papel”) e #MicroRelógio (“Pele e Osso”, que também foi a história mais popular do concurso). Conheça mais sobre sua trajetória na entrevista abaixo!

À esquerda, Rodrigo Duhau com certificado de segundo lugar no II Concurso de Microconto de Araçatuba (SP); à direita, com seu livro “Estrada do Além”.

 

 

Quando você decidiu que se tornaria um escritor?

O gosto por escrever sempre me acompanhou. A leitura também é uma das minhas paixões. Por isso, segui o caminho das palavras e fiz Jornalismo, História, uma especialização em revisão de texto e um mestrado em Ciência Política. O primeiro livro saiu de um artigo que apresentei na minha graduação em História. Na obra, estabeleço uma relação entre censura, cinema e ditadura militar no Brasil. Quando lancei o primeiro livro, peguei gosto pela coisa e publiquei mais duas obras.

Como você define o seu tipo de escrita?

Sou um escritor que gosta de pensar milimetricamente em cada palavra. Tento instigar os sentimentos do leitor: fazê-lo chorar, rir, se revoltar e até mesmo me xingar. Gosto que o leitor discuta meus textos, tenha uma interação comigo. Meus textos, como os leitores já podem ter percebido, se iniciam de um jeito, mas terminam de uma maneira completamente diferente. Levo o leitor para um lado, no entanto, trago-o para o outro lado no final do texto. Aprecio os finais surpreendentes. Sou um microcontista. Escrever uma história em poucas palavras é desafiador, e a plataforma Sweek contribui para que esse desafio seja renovado a cada mês.

Quais são seus autores e gêneros favoritos – tanto nacionais quanto internacionais?

Para mim, o maior autor da literatura mundial é William Shakespeare. Adoro suas tragédias. Suas peças contribuem para uma reflexão sobre a vida e, claro, sobre a morte. Não posso deixar de citar nosso grande Machado de Assis, o maior escritor da literatura brasileira, com suas ironias, com seu jeito de ver a sociedade, com seu realismo e mistérios. Em relação aos gêneros literários, aprecio os contos. Atualmente, estou descobrindo que gosto de contos de terror. A literatura do medo vem me conquistando.

Qual conselho você daria para quem está começando a escrever?

Leia, leia, leia. E depois escreva, escreva, escreva. Não existe escritor que não leia. Não existe escritor que não escreva. Tenha cuidado com o português. Nossa língua talvez seja o nosso maior e mais rico patrimônio. A língua portuguesa só é bela se for usada sem erros de regência, de concordância, de ortografia. Faça cursos, faça reciclagens. Faça capacitações de escrita criativa. Frequente as feiras nos domingos, ande de ônibus. Nesses lugares, há uma infinidade de pessoas que podem virar seus personagens.

Você já foi finalista de desafios de microcontos diversas vezes. De onde vem a sua inspiração?

A inspiração surge de uma história que eu escuto, de uma cena que eu vejo, de algo que aconteceu comigo, numa viagem, numa ida à feira. Mas, às vezes, forço-me a ter uma inspiração. Fico pressionando meu cérebro, espremendo-o, até que a ideia aparece. Aí, penso no primeiro parágrafo. Acredito que as primeiras linhas podem capturar ou afastar o leitor.  

Quais são seus escritores preferidos no Sweek?

Aprecio muito os textos do Fabiano Sorbara, da Kelly Hatanaka, do Fábio Monteiro, entre outros. São escritores sensíveis, que têm coerência em seus textos. Trazem sempre belas narrativas.

Qual foi sua reação ao ser finalista do Sweek pela primeira vez? Você ainda tem a mesma surpresa, apesar de sua história ser finalista em praticamente todas as rodadas de microcontos?

Nós nunca esquecemos a primeira vez. Foi em fevereiro do ano passado na rodada #MicroCoração, com meu conto chamado “Navalha”. E a emoção se renova todas as vezes que vejo meu nome entre os finalistas. Para mim, sempre é uma honra. Afinal ter o seu texto escolhido como um dos melhores entre centenas é um prazer, um estímulo. É a certeza de que estamos no caminho certo.

Como você acha que plataformas online de leitura e escrita podem ajudar um autor? Você imaginava ganhar este reconhecimento quando criou seu perfil na plataforma?

Acredito que a tecnologia está aí para ajudar a sociedade em geral. Com a literatura, não é diferente. Ter uma plataforma como o Sweek é uma ferramenta fundamental para que o mundo conheça seu jeito de escrever, seus textos, seus personagens. Isso é prazeroso, gratificante mesmo. Uma plataforma como essa também me faz melhorar como escritor. Afinal, as críticas são importantes para a evolução da escrita. Por isso, agradeço a todos e a todas que comentam meus contos.

Se você pudesse passar um dia inteiro com um escritor, vivo ou morto, quem seria? Por quê? E sobre o que conversariam?

Sem dúvida, seria Machado de Assis. Sou jornalista, e todo jornalista é um repórter, que, por sua vez, é um ser curioso. A primeira pergunta para ele seria: a Capitu traiu ou não traiu Bentinho? No entanto, ficaria com a resposta para mim. Não revelaria jamais a solução do maior mistério da literatura brasileira.   

Você tem mais de 70 obras publicadas no Sweek. Se tivesse que escolher apenas 5, quais seriam? Por quê?

Nossa, essa pergunta é um desafio. É como escolher cinco entre setenta filhos. Mas vamos lá: “Navalha”, “Pele e Osso”, “O Invisível”, “Chocolate” e “Dez Minutos”. Mas entre esses, fico com “O Invisível”, um texto que oferece aos leitores uma carga dramática, um final surpreendente e um personagem que não é muito usual.  

Qual é seu maior sonho em relação ao seu trabalho como autor?

Todo escritor quer ser lido. E eu não sou diferente. Um autor escreve para os outros. Esses outros são os leitores. Certa vez eu escrevi: “O leitor é a respiração do escritor”. Continuo pensando assim.

Siga o perfil do Rodrigo Duhau no Sweek para receber notificações sempre que uma nova história for publicada!

 

February 5, 2019

Papo Literário: 5 minutos com Dai Bugatti

Você leu a entrevista que fizemos com Diego Guerra, que lançou o romance medieval “Maculado” no Sweek? Dando sequência ao Papo Literário, nossa série de entrevistas com autores que se destacam no Sweek, apresentamos hoje a autora Dai Bugatti, que já foi jurada do desafio de microcontos #MicroChave e, mais recentemente, do SweekStars 2018.

Ela começou a escrever aos 15 anos, mas divulga seus trabalhos há pouco mais de 2 anos. Possui um canal literário no Youtube e, no ano passado, teve dois contos lançados na antologia “Proteja-me” e um livro escrito em parceria com outras escritoras intitulado Unicórnio – A Outra Dimensão“. Atualmente, escreve um romance exclusivo no Sweek chamado “Da Noite Para o Dia“, que pretende finalizar até março, e tem mais três contos publicados na plataforma: “Estímulos do Espaço”, “O Pedido”, “O Nosso Caso”.

Dai Bugatti é uma das juradas do concurso SweekStars 2018.

Qual é a sua relação com o mercado literário e como decidiu se tornar escritora?

Sempre amei ler, assim como a maioria das pessoas que escrevem. Mas durante muitos anos escrevia e guardava tudo na gaveta. Tinha vergonha, não deixava ninguém ler. Só depois de fazer um curso com o escritor André Vianco que comecei a enviar as escritas para os amigos e pensar em publicar. Com isso, comecei a ver os nomes que estavam despontando no mercado brasileiro e a me interessar por eles. A decisão mesmo veio nos últimos dois anos, em que me dediquei mais e me programei para, em 2019, só me dedicar a escrever e alimentar meu canal literário.

Como você define o seu tipo de escrita?

Acho que tem um pouco de influência de tudo o que já li na vida, mas também acho que ela é bem simples. No sentido do uso das palavras mesmo. Gosto de ler para aprimorar meu vocabulário, mas sempre penso que quem está lendo pode ser alguém que gosta ou não da leitura e que tem ou não facilidade em se envolver com uma história, por isso tento escrever de uma maneira que possa atingir os dois públicos. Como gosto de escrever fantasia, terror e ficção, o meu intuito é entreter, envolver e distrair o leitor.

Como você cria seus personagens?

Penso muito neles. O tempo todo. Além disso, crio todo o histórico de cada um deles. Penso na personalidade, signo, data de nascimento, fatos que marcaram suas vidas e por aí vai. Às vezes, me complico para começar uma história porque me pego preenchendo todas as lacunas dos personagens e aquilo acaba tomando muito mais tempo do que o imaginado, mas quando vou para a história em si, parece que os conheço tão bem que as decisões a serem tomadas no rumo da narração se tornam ainda mais fáceis e próprias de cada um.

Quais são seus autores nacionais e internacionais preferidos?

A lista é grande (risos).

O primeiro é, sem sombra de dúvidas, o André Vianco. Eu estava pesquisando a obra do André Vianco após ler “Os Sete” e foi através dele que vi que era possível se estabelecer no mercado nacional. Tem também o Geovani Martins, a Graciele Ruiz, a Íris Figueiredo, o José Mauro de Vasconcelos, o Caco Barcellos (sou jornalista e amo livros-reportagem) e muito mais gente…

De fora, para mim, o cara é o mestre Stephen King. Amo Ernest Hemingway, Sophie Hannah, J. K. Rowling, Gabriel García Márquez, entre muitos outros.[/caption]

“O escritor deve se conhecer e entender como potencializar seus pontos fortes”, afirma Dai.

Na sua opinião, qual é a maior dificuldade em ser escritor?

Dar o primeiro passo já é bem difícil. É preciso desapegar do ego e estar pronto para críticas. Também é preciso desapegar do que já foi feito, muitas vezes precisamos voltar páginas e páginas na história e refazer, trocar algo que não encaixou tão bem… Dá um aperto no coração, mas é necessário.

Mas a maior dificuldade acho que é se destacar. Tem muita gente boa, que escreve bem, mas que não tem visibilidade… Viver de escrita num país em que as livrarias estão fechando as portas não é a tarefa mais fácil, principalmente se você não é visto. Se divulgar e dar a cara a tapa é primordial.

Como lidar com as inseguranças no começo da carreira?

Sempre lembrando do seu foco e do seu ofício. Sempre digo que, independentemente do que fazemos da vida, precisamos fazer com o coração. Como se fosse a última coisa do mundo, da melhor maneira possível. Quando estou insegura, respiro fundo e me lembro que é disso que quero viver um dia. Penso que não tenho outra opção porque não quero ter outra opção de vida, então é preciso vencer os medos e continuar.

Quais dicas você pode passar para os autores que querem fazer sucesso na internet?

As mesmas que eu tento me dar todos os dias: não perder o foco, se dedicar e interagir. A internet nos dá aquilo que é bem difícil ter na vida offline: ter contatos com pessoas que estão longe. Então quando alguém lê uma história nossa e nos dá um feedback, é muito bacana poder conversar e ter uma troca. A divulgação também é necessária. Tenho visto muitas palestras e todas falam a mesma coisa: é preciso se divulgar.

Você já foi jurada do Sweek algumas vezes. O que leva você a selecionar uma história como finalista ou vencedora?

O fator surpresa é algo que sempre me chama a atenção. Histórias que surpreendem ou que nos fazem pensar sempre estão um pouco à frente nas minhas leituras. Mas também levo em conta a própria escrita e o quanto aquela história me toca de alguma maneira.

Como você evoluiu a escrita ao longo dos anos? Que conselhos pode dar em relação a esse processo?

Lendo muito. Não existe escritor que não gosta de ler (talvez exista, mas eu duvidaria bastante dessa pessoa, assim como duvido de atores que não gostam de teatro e cinema). E testando também, tentando encontrar meus pontos fracos e fortes; por exemplo: eu tenho dificuldade em escolher finais. Sempre fico na dúvida, então tento deixar a história a mais redonda possível e com duas opções de fim que me agradam para decidir quando chegar o momento certo. Meu conselho seria no sentido do escritor se conhecer e entender como potencializar seus pontos fortes!

Qual é seu maior sonho na vida profissional?

Apesar de já ter escrito muita coisa, ainda não tenho um livro só meu publicado, mas isso está bem próximo de acontecer. Depois disso, o maior sonho é viver da escrita, com certeza.

Saiba mais sobre o trabalho do Dai Bugatti nos perfis abaixo.

December 4, 2018

Papo Literário: 5 minutos com Diego Guerra

Para que esperar 2019 se podemos começar agora mesmo, em 2018? Neste dezembro, começaremos uma série imperdível de entrevistas: o Papo Literário. Todos os meses, vamos entrevistar um autor do Sweek para você conhecê-lo melhor, saber mais sobre seu processo de criação e sua trajetória. Gostou da novidade? O primeiro convidado desta coluna é Diego Guerra.

Aos 23 anos, o escritor natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo – hoje residente de São José do Rio Preto, também no interior – mostra sua versatilidade em diferentes gêneros. Além de seu recente livro de poesia, O Novelo do Verbo – Verso e Prosa”, ele assina diversos contos, como “Cecita”, “Os Pés de Carolina” e From Cream to Cherry” (“Do Creme à Cereja”, em tradução literal) – publicado na antologia internacional Gruesome Grotesque Vol. 3″.

Além de seu trabalho literário, Diego é estudante de Licenciatura em Letras e desenvolve pesquisa na área de Literatura Brasileira. No Sweek, começará a publicar o livro “Maculado” na próxima quinta-feira, 6 de dezembro. Confira a conversa abaixo!

Como e quando surgiu o interesse pela leitura e escrita?

Como muitos jovens da geração dos anos 1990, fui impulsionado pela leitura por meio da saga infanto-juvenil “Harry Potter”. Sim, esse foi um dos primeiros livros que tive na vida; até lá não me lembro de escrever nada muito palpável. Aliás, acho muito proveitoso a ingressão das pessoas na leitura por meio dos livros infantis ou infanto-juvenis, porque eles são incríveis e escondem mundos maravilhosos.

O meu trabalho mais significativo foi um romance que escrevi por volta de 2010 – talvez 2011… Na época, minha prima, que é professora de português, revisou meu livro enquanto passava as férias em Ribeirão Preto, minha cidade natal. Eu tinha uns 14 ou 15 anos durante o processo de escrita. Depois disso, imprimimos o livro e ela teve a ideia de enviarmos às editoras que ela conhecia, da forma mais tradicional possível:  pelos correios. Assim fizemos, mas não obtive nenhuma resposta. O resultado é completamente compreensível, provavelmente eu também o negaria, mas foi assim que comecei. Tenho vontade de voltar àquelas páginas – ainda tenho as cópias originais guardadas – e revisitar as histórias. De qualquer forma, concluo que o desejo pela escrita partiu do próprio exercício de escrever e me vendo em uma liberdade gigantesca de criar histórias só minhas, mundos só meus.

Você já consegue viver da escrita? Esse é um dos seus objetivos?

Primeiramente, devo admitir que hoje não vivo somente da escrita e ainda não sei ao certo se esse é o meu objetivo, mas reconheço que escrever é algo que eu desejo fazer para o resto da minha vida.

Na outra face, porém, revelo um Guerra professor e também gosto muito dessa minha versão. Estou prestes a me graduar em Licenciatura em Letras e já estou trabalhando na área da educação, então vejo um cenário que me impulsiona constantemente. Ainda nesse ambiente, me deparo com a miscelânea do olhar de um aluno em suas fases de aprendizagem, durante a produção dos primeiros versos de uma poesia ou das linhas de uma narrativa. Para mim, o “fazer literário” é uma outra face do “fazer ensinar”; afinal, o que é um bom livro senão uma conversa construtiva entre autor e leitor?

Como surgiu o romance “Maculado”?

Uau! Como é impressionantemente difícil responder a essa pergunta! O romance, que hoje é intitulado “Maculado”, nasceu há 5 anos. Vou revelar algo que pouquíssima gente sabe, mas o livro que será publicado em breve no Sweek é uma versão reescrita do original de 2013 – melhor, com toda certeza! A história me cativou desde as primeiras palavras que escrevi e foi esse amor ao texto que me fez voltar a reviver aquelas linhas, e, assim, reescrevê-lo. Mas vamos à origem!

Lembro-me que eu ainda era muito imaturo na escrita. Em 2012, eu queria escrever histórias medievais, sobre cavalarias e cruzadas, mas que tivesse um espaço autoral meu, logo, totalmente fictício. Passei meses cogitando essa ideia… Certo dia, enquanto voltava das compras, vi um homem com sua suposta cônjuge parados no estacionamento. Esse homem me iluminou ao Emanuel, que inicialmente se chamava William. Este homem do estacionamento tinha o corpo totalmente coberto por tatuagens e chamava atenção de longe; foi a partir daí que comecei a construir a pele de Emanuel e também a ideia de romance presente na trama. Acredito que observar o mundo real me deu oportunidades de começar a rabiscar o mundo ficcional de Coluna D’alvorada.

Inicialmente, todos os nomes dos personagens eram em língua inglesa, como o protagonista citado acima, e o sobrenome inicial da família era “Forew”. Quando eu reescrevi, senti a necessidade de me apropriar do espaço ficcional e dos personagens, então resolvi criar nomes na língua portuguesa para criar uma identificação maior com o leitor brasileiro.

O título da história foi outro item que me deu muita dor de cabeça. Simplesmente não me sentia seguro com nenhum deles. Na história inicial, em 2013, a história se chamava “O Honesto Cavaleiro” e depois “Pelos Olhos do Carrasco” – já pensando em um segundo momento da história. Mas ainda não estávamos lá. Por fim, pensei em algo minimalista, que fosse reduzido a uma palavra só, de impacto. A partir disso, concretizo “Maculado”, uma palavra tão forte semanticamente, que consegue exprimir todo o livro. Aquele que é manchado, marcado e também serve em oposição ao simbolismo do “imaculado”. Logo, penso que, em “Maculado”, encontramos não só Emanuel, mas todo o mundo que o cerca.

Quais são as principais características do seu texto?

Apresento em “Maculado” uma escrita quase que desafiadora [risos]. Hoje um dos meus ídolos é o escritor português José Saramago, principalmente sua obra gigantesca “Ensaio Sobre A Cegueira”. Encantado com seu estilo, eu tento reproduzir, de uma forma minha, uma escrita fluida, porém que abre mão das pontuações gramaticais que conhecemos na escola, como “Fala vem apenas depois de travessão”. Que convenção é essa, aliás? Eu vou provar para vocês – aliás, continuar provando – o que foi iniciado por muitos escritores antes de mim: que podemos retirar tudo isso do texto e, mesmo assim, compreender a obra sem problemas. E o resultado ainda é… INCRÍVEL.

De onde surgiu o interesse em publicar um livro em partes de forma online e gratuita? Qual é a importância disso para o seu trabalho?

Pensei em disponibilizar a história gratuitamente para alcançar o maior número de pessoas possíveis e conquistar as pessoas com “Maculado” assim como eu fui conquistado. Eu escolhi o Sweek, porque a equipe leu o projeto do livro e me acolheu de braços abertos! Além disso, sou muito entusiasta das tecnologias relacionadas a leitura e escrita.

Você pensa em dar continuidade a este trabalho?

Sim! Não tenho certeza se vou continuar a história com outros volumes, mas pretendo publicar de outras formas, dando molde a esse corpo progressivamente a partir das respostas dos leitores.

O que o Sweek representa para você neste momento da carreira?

Gostei bastante da proposta do Sweek desde que a plataforma chegou ao Brasil. Vi a oportunidade de uma outra ótica, além das outras plataformas de self-publishing. Quando pensamos juntos sobre essa publicação, vi uma grande oportunidade para o livro e para minha carreira como escritor, já que também vou ser jurado de concursos, como o SweekStars 2018.

Quais são seus planos para seu futuro como escritor?

Quanto aos planos mais próximos, eu devo revelar que estou participando de uma antologia incrível elaborada pela Editora Flyve. O livro foi intitulado “Quando Você se Foi” no prelo. Em planos mais futuros, vou continuar escrevendo narrativas, sejam elas romances ou crônicas, mas não me vejo preso a um gênero, como “Fantasia”, por exemplo. Acho a escrita laboratorial muito produtiva e já tenho algumas ideias!

Quais dicas você pode dar para as pessoas que estão começando a carreira como autor?

Infelizmente eu não tive esses momentos de conversa com outros escritores quando comecei, em 2010, então não sabia absolutamente nada sobre o mundo literário e sofri muito. Por isso, eu falaria para esse colega sobre a importância da conversa e do trabalho com outros autores. É incrível como fazer networking e ter uma rede de contatos auxilia o nosso trabalho e nos põe em um lugar de destaque diante das editoras. Além disso, diria também sobre a importância de publicação de livros por meios digitais. Tem dado muito certo e vale a pena!

Muitos autores pensam que não precisam se preocupar com o uso perfeito do português, porque podem contar com o trabalho dos revisores. O que você acha disso?

Eu acredito que o produto literário não é trabalho de apenas uma pessoa. Revisores, editores, diagramadores e vários outros profissionais são tão colaboradores de uma história quanto o escritor, então eu acredito em um trabalho de escrita (e de criação do livro) colaborativo – o que quebra a falsa ideia de que a história depende só do autor e que ele é a entidade soberana ao livro.

Erros gramaticais devem ser evitados, claro, mas retomo que, muitas vezes, estamos mais preocupados com plot twists, ambientação, tempo, personagens, profundidade psicológica etc do que com aspectos gramaticais. Daí, então, a importância de um bom revisor para a obra.   

Quando iniciará a publicação dos capítulos e qual será a dinâmica?

Estou me programando para começar as publicações no dia 6 de dezembro. Em 3 semanas, vou postar o segundo capítulo no dia 13 e o terceiro, no dia 20. Depois voltamos quinzenalmente a partir de 17 de janeiro. Não percam!

Saiba mais sobre o trabalho do Diego Guerra nos perfis abaixo.