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March 7, 2019

Papo Literário: 5 minutos com Rodrigo Duhau

Rodrigo Duhau é jornalista, historiador, mestre em Ciência Política, servidor público e assessor de comunicação social da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) há 13 anos. Autor de três livros: “Luz, Câmera, Repressão”, “Pintura Morta” (contos e minicontos) e “Estrada do Além” (poesias).

O autor foi finalista dos desafios #MicroCoração (“Navalha”), #MicroCarta (“Bodas de Ouro”), #MicroDia (“Dois Irmãos”), #MicroSegredo (“Três Gerações”), #MicroMedo (“Enterrado Vivo”), #MicroRelógio (“Caderno de Caligrafia”) e #MicroCarnaval (“Carnaval de Lágrimas”). Também foi vencedor de duas rodadas: #MicroPorta (“A Casa de Papel”) e #MicroRelógio (“Pele e Osso”, que também foi a história mais popular do concurso). Conheça mais sobre sua trajetória na entrevista abaixo!

À esquerda, Rodrigo Duhau com certificado de segundo lugar no II Concurso de Microconto de Araçatuba (SP); à direita, com seu livro “Estrada do Além”.

 

 

Quando você decidiu que se tornaria um escritor?

O gosto por escrever sempre me acompanhou. A leitura também é uma das minhas paixões. Por isso, segui o caminho das palavras e fiz Jornalismo, História, uma especialização em revisão de texto e um mestrado em Ciência Política. O primeiro livro saiu de um artigo que apresentei na minha graduação em História. Na obra, estabeleço uma relação entre censura, cinema e ditadura militar no Brasil. Quando lancei o primeiro livro, peguei gosto pela coisa e publiquei mais duas obras.

Como você define o seu tipo de escrita?

Sou um escritor que gosta de pensar milimetricamente em cada palavra. Tento instigar os sentimentos do leitor: fazê-lo chorar, rir, se revoltar e até mesmo me xingar. Gosto que o leitor discuta meus textos, tenha uma interação comigo. Meus textos, como os leitores já podem ter percebido, se iniciam de um jeito, mas terminam de uma maneira completamente diferente. Levo o leitor para um lado, no entanto, trago-o para o outro lado no final do texto. Aprecio os finais surpreendentes. Sou um microcontista. Escrever uma história em poucas palavras é desafiador, e a plataforma Sweek contribui para que esse desafio seja renovado a cada mês.

Quais são seus autores e gêneros favoritos – tanto nacionais quanto internacionais?

Para mim, o maior autor da literatura mundial é William Shakespeare. Adoro suas tragédias. Suas peças contribuem para uma reflexão sobre a vida e, claro, sobre a morte. Não posso deixar de citar nosso grande Machado de Assis, o maior escritor da literatura brasileira, com suas ironias, com seu jeito de ver a sociedade, com seu realismo e mistérios. Em relação aos gêneros literários, aprecio os contos. Atualmente, estou descobrindo que gosto de contos de terror. A literatura do medo vem me conquistando.

Qual conselho você daria para quem está começando a escrever?

Leia, leia, leia. E depois escreva, escreva, escreva. Não existe escritor que não leia. Não existe escritor que não escreva. Tenha cuidado com o português. Nossa língua talvez seja o nosso maior e mais rico patrimônio. A língua portuguesa só é bela se for usada sem erros de regência, de concordância, de ortografia. Faça cursos, faça reciclagens. Faça capacitações de escrita criativa. Frequente as feiras nos domingos, ande de ônibus. Nesses lugares, há uma infinidade de pessoas que podem virar seus personagens.

Você já foi finalista de desafios de microcontos diversas vezes. De onde vem a sua inspiração?

A inspiração surge de uma história que eu escuto, de uma cena que eu vejo, de algo que aconteceu comigo, numa viagem, numa ida à feira. Mas, às vezes, forço-me a ter uma inspiração. Fico pressionando meu cérebro, espremendo-o, até que a ideia aparece. Aí, penso no primeiro parágrafo. Acredito que as primeiras linhas podem capturar ou afastar o leitor.  

Quais são seus escritores preferidos no Sweek?

Aprecio muito os textos do Fabiano Sorbara, da Kelly Hatanaka, do Fábio Monteiro, entre outros. São escritores sensíveis, que têm coerência em seus textos. Trazem sempre belas narrativas.

Qual foi sua reação ao ser finalista do Sweek pela primeira vez? Você ainda tem a mesma surpresa, apesar de sua história ser finalista em praticamente todas as rodadas de microcontos?

Nós nunca esquecemos a primeira vez. Foi em fevereiro do ano passado na rodada #MicroCoração, com meu conto chamado “Navalha”. E a emoção se renova todas as vezes que vejo meu nome entre os finalistas. Para mim, sempre é uma honra. Afinal ter o seu texto escolhido como um dos melhores entre centenas é um prazer, um estímulo. É a certeza de que estamos no caminho certo.

Como você acha que plataformas online de leitura e escrita podem ajudar um autor? Você imaginava ganhar este reconhecimento quando criou seu perfil na plataforma?

Acredito que a tecnologia está aí para ajudar a sociedade em geral. Com a literatura, não é diferente. Ter uma plataforma como o Sweek é uma ferramenta fundamental para que o mundo conheça seu jeito de escrever, seus textos, seus personagens. Isso é prazeroso, gratificante mesmo. Uma plataforma como essa também me faz melhorar como escritor. Afinal, as críticas são importantes para a evolução da escrita. Por isso, agradeço a todos e a todas que comentam meus contos.

Se você pudesse passar um dia inteiro com um escritor, vivo ou morto, quem seria? Por quê? E sobre o que conversariam?

Sem dúvida, seria Machado de Assis. Sou jornalista, e todo jornalista é um repórter, que, por sua vez, é um ser curioso. A primeira pergunta para ele seria: a Capitu traiu ou não traiu Bentinho? No entanto, ficaria com a resposta para mim. Não revelaria jamais a solução do maior mistério da literatura brasileira.   

Você tem mais de 70 obras publicadas no Sweek. Se tivesse que escolher apenas 5, quais seriam? Por quê?

Nossa, essa pergunta é um desafio. É como escolher cinco entre setenta filhos. Mas vamos lá: “Navalha”, “Pele e Osso”, “O Invisível”, “Chocolate” e “Dez Minutos”. Mas entre esses, fico com “O Invisível”, um texto que oferece aos leitores uma carga dramática, um final surpreendente e um personagem que não é muito usual.  

Qual é seu maior sonho em relação ao seu trabalho como autor?

Todo escritor quer ser lido. E eu não sou diferente. Um autor escreve para os outros. Esses outros são os leitores. Certa vez eu escrevi: “O leitor é a respiração do escritor”. Continuo pensando assim.

Siga o perfil do Rodrigo Duhau no Sweek para receber notificações sempre que uma nova história for publicada!

 

February 5, 2019

Papo Literário: 5 minutos com Dai Bugatti

Você leu a entrevista que fizemos com Diego Guerra, que lançou o romance medieval “Maculado” no Sweek? Dando sequência ao Papo Literário, nossa série de entrevistas com autores que se destacam no Sweek, apresentamos hoje a autora Dai Bugatti, que já foi jurada do desafio de microcontos #MicroChave e, mais recentemente, do SweekStars 2018.

Ela começou a escrever aos 15 anos, mas divulga seus trabalhos há pouco mais de 2 anos. Possui um canal literário no Youtube e, no ano passado, teve dois contos lançados na antologia “Proteja-me” e um livro escrito em parceria com outras escritoras intitulado Unicórnio – A Outra Dimensão“. Atualmente, escreve um romance exclusivo no Sweek chamado “Da Noite Para o Dia“, que pretende finalizar até março, e tem mais três contos publicados na plataforma: “Estímulos do Espaço”, “O Pedido”, “O Nosso Caso”.

Dai Bugatti é uma das juradas do concurso SweekStars 2018.

Qual é a sua relação com o mercado literário e como decidiu se tornar escritora?

Sempre amei ler, assim como a maioria das pessoas que escrevem. Mas durante muitos anos escrevia e guardava tudo na gaveta. Tinha vergonha, não deixava ninguém ler. Só depois de fazer um curso com o escritor André Vianco que comecei a enviar as escritas para os amigos e pensar em publicar. Com isso, comecei a ver os nomes que estavam despontando no mercado brasileiro e a me interessar por eles. A decisão mesmo veio nos últimos dois anos, em que me dediquei mais e me programei para, em 2019, só me dedicar a escrever e alimentar meu canal literário.

Como você define o seu tipo de escrita?

Acho que tem um pouco de influência de tudo o que já li na vida, mas também acho que ela é bem simples. No sentido do uso das palavras mesmo. Gosto de ler para aprimorar meu vocabulário, mas sempre penso que quem está lendo pode ser alguém que gosta ou não da leitura e que tem ou não facilidade em se envolver com uma história, por isso tento escrever de uma maneira que possa atingir os dois públicos. Como gosto de escrever fantasia, terror e ficção, o meu intuito é entreter, envolver e distrair o leitor.

Como você cria seus personagens?

Penso muito neles. O tempo todo. Além disso, crio todo o histórico de cada um deles. Penso na personalidade, signo, data de nascimento, fatos que marcaram suas vidas e por aí vai. Às vezes, me complico para começar uma história porque me pego preenchendo todas as lacunas dos personagens e aquilo acaba tomando muito mais tempo do que o imaginado, mas quando vou para a história em si, parece que os conheço tão bem que as decisões a serem tomadas no rumo da narração se tornam ainda mais fáceis e próprias de cada um.

Quais são seus autores nacionais e internacionais preferidos?

A lista é grande (risos).

O primeiro é, sem sombra de dúvidas, o André Vianco. Eu estava pesquisando a obra do André Vianco após ler “Os Sete” e foi através dele que vi que era possível se estabelecer no mercado nacional. Tem também o Geovani Martins, a Graciele Ruiz, a Íris Figueiredo, o José Mauro de Vasconcelos, o Caco Barcellos (sou jornalista e amo livros-reportagem) e muito mais gente…

De fora, para mim, o cara é o mestre Stephen King. Amo Ernest Hemingway, Sophie Hannah, J. K. Rowling, Gabriel García Márquez, entre muitos outros.[/caption]

“O escritor deve se conhecer e entender como potencializar seus pontos fortes”, afirma Dai.

Na sua opinião, qual é a maior dificuldade em ser escritor?

Dar o primeiro passo já é bem difícil. É preciso desapegar do ego e estar pronto para críticas. Também é preciso desapegar do que já foi feito, muitas vezes precisamos voltar páginas e páginas na história e refazer, trocar algo que não encaixou tão bem… Dá um aperto no coração, mas é necessário.

Mas a maior dificuldade acho que é se destacar. Tem muita gente boa, que escreve bem, mas que não tem visibilidade… Viver de escrita num país em que as livrarias estão fechando as portas não é a tarefa mais fácil, principalmente se você não é visto. Se divulgar e dar a cara a tapa é primordial.

Como lidar com as inseguranças no começo da carreira?

Sempre lembrando do seu foco e do seu ofício. Sempre digo que, independentemente do que fazemos da vida, precisamos fazer com o coração. Como se fosse a última coisa do mundo, da melhor maneira possível. Quando estou insegura, respiro fundo e me lembro que é disso que quero viver um dia. Penso que não tenho outra opção porque não quero ter outra opção de vida, então é preciso vencer os medos e continuar.

Quais dicas você pode passar para os autores que querem fazer sucesso na internet?

As mesmas que eu tento me dar todos os dias: não perder o foco, se dedicar e interagir. A internet nos dá aquilo que é bem difícil ter na vida offline: ter contatos com pessoas que estão longe. Então quando alguém lê uma história nossa e nos dá um feedback, é muito bacana poder conversar e ter uma troca. A divulgação também é necessária. Tenho visto muitas palestras e todas falam a mesma coisa: é preciso se divulgar.

Você já foi jurada do Sweek algumas vezes. O que leva você a selecionar uma história como finalista ou vencedora?

O fator surpresa é algo que sempre me chama a atenção. Histórias que surpreendem ou que nos fazem pensar sempre estão um pouco à frente nas minhas leituras. Mas também levo em conta a própria escrita e o quanto aquela história me toca de alguma maneira.

Como você evoluiu a escrita ao longo dos anos? Que conselhos pode dar em relação a esse processo?

Lendo muito. Não existe escritor que não gosta de ler (talvez exista, mas eu duvidaria bastante dessa pessoa, assim como duvido de atores que não gostam de teatro e cinema). E testando também, tentando encontrar meus pontos fracos e fortes; por exemplo: eu tenho dificuldade em escolher finais. Sempre fico na dúvida, então tento deixar a história a mais redonda possível e com duas opções de fim que me agradam para decidir quando chegar o momento certo. Meu conselho seria no sentido do escritor se conhecer e entender como potencializar seus pontos fortes!

Qual é seu maior sonho na vida profissional?

Apesar de já ter escrito muita coisa, ainda não tenho um livro só meu publicado, mas isso está bem próximo de acontecer. Depois disso, o maior sonho é viver da escrita, com certeza.

Saiba mais sobre o trabalho do Dai Bugatti nos perfis abaixo.